Regenus' Domain

quinta-feira, março 30, 2006

Considerações do Dia


Hoje foi minha primeira reunião na universidade após quase 3 anos de afastamento. Faz parte da minha tentativa de voltar a fazer o cérebro funcionar como antes. A lei na inércia nunca pareceu tão pronunciada, mas com uma pequena releitura minha: "Um cérebro que está parado, tende a permanecer parado, mesmo que haja uma força externa tentando movê-lo"...

Realmente o tempo e o espaço moldam as pessoas. Nunca me senti tão estranho lá. Era como se estivesse em uma outra dimensão, o que confirma a minha teoria da "bolha universitária". O espaço universitário é uma realidade à parte, feita de egos e pensamentos fantasiosos e, pelo menos para as ciências humanas, nada praticáveis. Não sei também se essa ilusão foi causada pelo meu cansaço físico aparente e os contratempos matutinos - acordar atrasado e engarrafamento monstro logo perto de casa. Nota sobre o engarrafamento: SEMPRE é um motoqueiro escroto no chão, dá vontade de passar ao lado e gritar "tomara que morra!".

Depois de passar um tempo afastado, vc se depara novamente com o descaso que esse país tem para com as universidades federais. Isso porque a universidade daqui é considerada uma das melhores do país. O departamento que freqüentava parece um calabouço escuro e isolado. Não sei se essa impressão foi influenciada pelo fato de não haver muitos alunos por lá, já que estão de recesso. Voltando à reunião, e aos moldes espaço-temporais, essa começou um tanto atrasada. Como estou fora da bolha, eu sei o quanto o tempo é precioso agora - tive que usar minha hora de almoço para participar - e a reunião seguia o extremo rigor característico dos encontros acadêmicos... Estou sendo irônico mesmo. Ao final da reunião, uma das professoras que me orientaram durante a graduação apareceu e foi bom revê-la. Só trocamos algumas palavras e mencionei algumas leituras que estava fazendo para me preparar para o mestrado, basicamente da Oxford e Cambridge Press, que têm as publicações mais diretas sobre o assunto que quero tratar, e o comentário dela foi "Nossa, mas eles [as editoras mencionadas] são tão... industriais... aqui a gente lida com algo mais artesanal..." Just shoot me coz I didn't get it! Qual o problema de se tentar levar um trabalho com um rigor industrial? Afinal de contas, a universidade tem que dar retorno para a comunidade. Nada mais justo que tentar lidar com os assuntos da forma mais séria possível. E, por se tratar de um laboratório, esperava algo mais voltado para a produção e experimentação. Já vi que essas coisas no campo das ciências humanas é só um sonho meu...

Apesar dos contratempos e frustrações, foi interessante voltar àquele ambiente, e pretendo continuar a freqüentá-lo. Quem sabe não consigo fazer com que esse laboratório seja realmente o que o nome quer dizer. Chega de discutir ad nauseum os mesmos assuntos, alguma coisa tem que frutificar dali. Pode ser presunção minha, sempre tive a cabeça nas nuvens, mas tenho algumas idéias que poderiam dar certo. Vamos deixar o tempo cuidar disso...

Regenus Pax 2:20 PM

3 Comments:

Algumas vezes discuti esses temas também com uma colega, de igual forma deveras pensante para a situação. Brincávamos que ao caminhar pelos corredores, em algum momento estancaríamos com o final da bolha, o fim da parede invisivel que nos distanciava do mundo. Nos nossos devaneios, imaginavamos como experiências de alguma mente maligna daquele projeto que se chamava universidade... somos de alguma forma produto dessa geringonça. Sempre que retorno a universidade me sinto mais estranho e alheio a tudo que ocorre ali, e compartilho contigo cada sensação. Também me preparo para o mestrado e vejo que nossas aspirações cientificas e de qualidade estão muito além do que na verdade é possivel e é oferecido. No final, é tudo uma várzea. Para a tristeza do mundo que crê fielmente na Douta Ciência. Não estranhe se essa estranheza, a cada visita, piorar. Faz parte. E como diz um amigo: crescer dói. Mil beijos!!
Nada melhor que o bom e velho tempo... :c)
^^ Um sonhador!!! Mas na minha opinião de 'colega sonhadora' é que sonhos são possíveis, vai aí o exemplo batido do astronauta brasleiro!!^^

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