segunda-feira, outubro 23, 2006
E o tempo passa

Ontem foi um daqueles dias em que você está mais pensativo que o costume manda (entenda 'costume' como sinônimo de 'marketing', pois acho que um substituiu o outro já tem algum tempo...). Estava tomando banho quando me veio à mente que já estamos em outubro, quase novembro, de 2006. Logo passaremos por toda a adaptação mental de esquecer o número 2006 e substituí-lo pelo 2007 nos formulários da burocracia cotidiana. Acabei por lembrar também de toda a loucura que pairava sobre o ano 2000 e as previsões de 'fim dos tempos'. Às vezes penso que as previsões estavam certas, afinal de contas, que mundo é esse em que se vive agora? Eu tinha acho que meus 13-14 anos quando alguém sugeriu calcular que idade teria quando fosse morrer. Eu deveria ter morrido com 19 anos. Muitos morreram, como se morre todo dia. A loucura passou e todos continuam as suas vidinhas, uns com 1, outros com 2-3 vidas simultâneas... Engraçado viver numa realidade em que a única verdade é que todos morrem. Ok, há alguns seres nesse mundo que teimam desconhecer a verdade, como Hebe Camargo, Dercy Gonçalves, ACM... Talvez esses só morrem quando lhes cortam a cabeça.
Gosto de estar meio triste. Nesses momentos é que se consegue produzir coisas mais belas. Apesar de não gostar muito de livros de auto-ajuda, li outro dia uma frase de Paulo Baleki que expressa bem o que quero dizer com isso: "Quando o cinza de um dia taciturno bate dentro da gente, sentimos uma dor gostosa, como a melodia dos poetas. Num instante sentimos um prazer calmo e solene. Se isso ocorrer com você um dia qualquer, não faça por menos, curta esse dia minuto a minuto, não se envergonhe, nada é ruim se você se enquadra na sua felicidade. Calce a poesia e ande." A tristeza é poesia; a alegria é Chiclete com Banana... (cara caramba cara caraô!). Então não sei de onde veio essa idéia de buscar a felicidade suprema. O que se vende por aí é que se deve ser feliz todos os dias e a qualquer preço. É difícil ver que só existe alegria porque existe a tristeza. E é provavel que muita gente desperdiça esse momento tão especial.
Gosto de estar meio triste. E gosto de escrever assim. Cada palavra tem um sabor diferente. Degusta-se cada uma antes de servir o texto. É algo que desafia, instiga. Mas eu não sou um poeta. Sou só um cara triste.
Regenus Pax 8:29 AM














