terça-feira, novembro 21, 2006
Serenidade

Cada vez mais me convenço de que você sempre recebe aquilo que lhe é necessário. Hoje de manhã, enquanto enfrentava o trânsito de sempre para chegar ao trabalho, escutava um CD novo que gravei só pra deixar no carro. Fui pulando algumas músicas porque nenhuma estava agradando muito e meu irmão, que vinha comigo, já estava torcendo o nariz. Ele é do tipo que não escuta música velha. Como se música envelhecesse... Bom, já dizia o ditado, “gosto é igual...”
Voltando ao que interessa, cheguei na pasta com o CD da India.Arie. A primeira música diz “... Serenidade para aceitar o que não posso mudar...”. Se eu pudesse ter um único desejo atendido, acho que seria esse. Ontem não foi um dia muito legal. Eu estava cansado de ficar em casa sofrendo com o calor e já havia passado o dia no computador jogando. Decidi ir ao shopping distrair – e aproveitar o ar condicionado. Apesar de ainda ser novembro, tudo já está impregnado com a cara do Natal. E essa época é meio deprimente. Época de muita hipocrisia e supremacia do consumo. A música ambiente não poderia ser diferente. Escutava “Adeste Fidelis” e, não sei porquê, tive vontade de chorar. Um vazio me tomou por dentro. E não há dor pior que a do vazio da alma. Comprei (estou cansando desse verbo) um presente de aniversário pra um amigo e fui embora para o supermercado comprar (de novo) comida pro cachorro. Cheguei em casa, fui jantar e resolvi assistir o “Jardineiro Fiel” que já estava lá em casa fazia meses. É, só serviu para me deprimir mais. Quem não assistiu, assista, é um bom filme.
No filme, uma das personagens era movida pelo seu ideal; sua vida era aquilo. Lembrei-me que eu já tive uma motivação, só não sei onde ela se perdeu. Hoje, tudo o que eu faço é apenas para continuar vivendo. Trabalho, alimentação, imagem, estudo, tudo realizado da forma mais mecânica possível. Skinner poderia ter me usado para validar sua teoria. Muito pouco prazer em tudo isso. Essa falta de direção acaba me fazendo atirar em todas, criando mais e mais atividades para preencher o tempo entre o dormir e o dormir. E o corpo já mostra sinais de cansaço. E meus sonhos são povoados por atividades rotineiras, ou seja, ando trabalhando em dobro e acordando cansado. Engraçado que, quando eu estudava, achava que essa era a vida que eu gostaria de levar.
“Serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar...”
terça-feira, novembro 07, 2006
Envelhecimento














