Regenus' Domain

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Só (2)


Nas minhas andanças pela internet, acabei parando no site do Project Gutenberg e lá, procurando um livro clássico, acabei encontrando um livro de auto-ajuda de 1916... Comecei a passar o olho pelo texto e não foi surpresa alguma constatar que os problemas de outrora se perpetuam. Se pararmos para pensar, podemos regressar (nunca regredir, pois são épocas distintas) 400, 1000 anos que seja, e os problemas serão bem parecidos. Quanto tempo será preciso para percebe que é o homem que carrega tal mácula?

O título do livro é "Quit Your Worrying". O livro inteiro vale a pena ser lido, mesmo que apenas para traçar um paralelo com o que se produz hoje. Porém, gostaria de dividir um poema de John Burroughs presente no livro (poema esse que eu não me atrevo a traduzir, mas fico feliz se alguém se habilitar) chamado The Waiting. Segundo o autor George Wharton James, John atingiu muito mais do que sequer sonhara, e a razão para causar tamanho impacto no mundo da língua inglesa foi mostrar algo que até então era desconhecido.

Serene I fold my hands and wait,
Nor care for wind, or tide or
sea;
I rave no more 'gainst time or fate,
For lo! my own shall come to
me.

I stay my haste, I make delays,
For what avails this eager pace?
I stand amid the eternal ways,
And what is mine shall know my face.

Asleep, awake, by night or day,
The friends I seek are seeking me,
No wind can drive my bark astray,
Nor change the tide of destiny.

What matter if I stand alone?
I wait with joy the coming years;
My heart shall reap where it has sown,
And garner up its fruit of tears.

The waters know their own and draw
The brook that springs in yonder
height,
So flows the good with equal law
Unto the soul of pure delight.

The stars come nightly to the sky;
The tidal wave unto the sea;
Nor time, nor space, nor deep, nor high
Can keep my own away from
me.


Nada mais há que ser dito. Talvez seja a hora de seguir meu próprio caminho.
Regenus Pax 10:28 PM | 1 introspectos |

terça-feira, janeiro 09, 2007

Hoje, ao sair de casa, fui novamente tocado pelo olhar do meu cão e a voz de minha mãe com a percepção de que tenho deixado ambos muito sós. Voz e olhar, já a mim direcionado outras vezes... Ah!, essa mente perturbada, essa vontade de agradar a todos... Seria isso possível? Já algum tempo percebi que o cachorro não come direito e está meio magro. Acho que se sente só. Nem os animais se esquivam do mal dos tempos. Sei que, se pudesse falar, diria “Não vá, não me deixe só...”

Teimo em dizer que as palavras são vazias de significado, apesar de certas pessoas afirmarem o contrário. No enunciado de minha mãe isso fica ainda mais claro pra mim. “Se cuide, moleque. Você precisa descansar”. Usando o disfarce da língua escrita, essa frase é simples de ser entendida em seu conteúdo. Basta alguns poucos traços de prosódia para tudo mudar de figura. Aprendi com a vida a ler a intensidade das frases proferidas. O desânimo que a acompanha é tão claro que não tem como não se abalar com a distorção “Se você quer ir, tudo bem, mas eu vou ficar novamente só e eu não quero mais ficar só”. E, não apenas eu a deixo só como me faço só assim. Apesar de meu pai não ter sido um exemplo, era a principal companhia dela. Desde que faleceu, se contam 10 anos de solidão mais ou menos...

Será possível agradar a todos? O que fazer?

Minha resposta para a primeira pergunta é não. É um impedimento espaço-temporal. O tempo que se dedica a alguém ou algo não pode ser dividido. Mesmo que duas pessoas que atraem sua atenção estejam juntas, não se pode ter a mesma quantidade (ou qualidade) de interação com ambas. Infelizmente saber a resposta não significa que o problema está resolvido.
A segunda pergunta é mais fácil de ser respondida. De entre as várias fontes de resposta, provenientes de religiões e filosofias, só é preciso escolher uma. Meus problemas começaram quando eu resolvi cuidar mais de mim que dos outros. Resolver os problemas dos outros sempre foi mais fácil, não é? Não estou dizendo que minha vida antes era inteiramente dedicada para isso. Mas havia mais tempo para isso e sobrava tempo para tudo (palavra relativa, mas essa é outra conversa). E eu conseguia ser feliz na minha melancolia. Já me disseram que eu só vou receber um câncer em retribuição aos meus atos. Talvez seja verdade. A única certeza de que eu tenho é que eu me sinto mais cansado tentando seguir a receita do não-câncer.

Regenus Pax 10:04 PM | 0 introspectos |