quarta-feira, maio 06, 2009
Yet the same...
Recentemente, no trabalho, ando numa carga de estresse tremenda. E a culpa de quem é? É minha mesmo! Porque resolvi fazer o que eu acho que todos que lá estão deveriam fazer: TRABALHAR. Escuto meu nome ser gritado tantas vezesno mesmo dia que às vezes fujo e finjo resolver um assunto em outra área, apenas para não ficar à vista. Fui incumbido de cuidar de assuntos cruciais pelo simples fato de não se ter em quem mais confiar. Ressalva: uma amiga minha divide o calvário. Feitas as ressalvas, admito que é uma área pequena - 11 empregados no total (não vou me esforçar para contar mentalmente e apenas escolho um número baixo aleatório). Porém, discordo da "política do coitadinho" que perpassa toda aquela estrutura administrativa. "Ah, coitado, ele acabou de se separar..." ou "Daqui a pouco ela se aposenta...". Qual é a vantagem de se manter um empregado próximo com quem não se pode contar?
terça-feira, março 18, 2008
Nessa Noite
Nessa noite, que não é fria nem quente, fico deitado na cama olhando para o teto. Na verdade, não vejo o teto do meu quarto porque está tudo escuro. Nesta noite, eu estou só. Até a lâmpada que ilumina o pátio retirou-se e há apenas a luz de algumas estrelas pra acompanhar os meus sentimentos.
Escrevo sem saber o quê, apenas não tenho vontade de segurar e adormecer com o que teima em me acompanhar. Quanto tempo já faz? Talvez sempre tenha sido assim. E por que isso me incomoda tanto hoje? Acho que estou cansado. Meu corpo já está cansado e minhas costas começam a dar sinais de tal. Essa dor repentina que começa toda manhã após eu me levantar e chegar ao trabalho.
Deveria estar dormindo agora e não tentando filosofar. O tempo é impiedoso. Logo será manhã. Hoje já é amanhã. Cada dia que passa tudo fica mais sem graça, tudo previsível. Minha vida mudou depois do meu surto de idealismo adolescente. Ou pelo menos da adolescência do século XIX. Os de hoje em dia nem sabem o que é isso. Ocaso é que minha vida mudou. Novos fardos se apresentaram para serem carregados – e eu só quero ficar quieto. Isso tudo me faz pensar até onde é válido continuar com isso. Semana passada, tive uma discussão longa e sem definição com minha mãe. Ela não quer perder o filho dela para a tristeza. Insiste em dizer que aqui é o melhor lugar para se estar. E eu tão cansado... Até na hora de escrever o que me vem são muitas perguntas. As respostas devem estar perdidas em algum outro volume da série “Vida”. Vida... alguns se agarram com tanta força a ela e eu quero simplesmente dar a minha a alguém. Pegue, eu não mais a quero. Faça um uso melhor disso. Não, não é tão fácil assim.
Sempre me pergunto qual é a alternativa para quem não está satisfeito. O mundo praticamente se tornou o mesmo, não importa para onde se vá. Não quero fechar os olhos e fingir que o que me cerca é o melhor, que o passado sempre será pior. Olho para frente e a sensação de impotência é paralisante. A imbecilização da massa humana é inevitável. Vivendo do consumo para o consumo. E assim se consomem vidas inteiras... Eu digo que não quero participar disso. E o que eu vou fazer?
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Oratória
Hoje de manhã, ao me encaminhar para o meu calvário cotidiano, parei no tradicional semáforo que está sempre fechado não importa a hora do dia que eu passe por ali. Já avistei ao longe os também tradicionais subempregados distribuindo propaganda barata de plano de saúde – sempre Golden Cross e Amil – além dos mendigos também tradicionais. Dessa vez o panfleto que recebi – acho que todos deveriam receber e os encaminhar para a lixeira mais próxima, assim aquele indivíduo vai logo embora dali – foi diferente, falando de um curso de oratória. Ou melhor, “oratória e expressão verbal”, que pra mim soa pleonástico. Não havia como deixar de comentar. Senti uma erupção lexical formigando meu peito, a necessidade de colocar tudo por escrito.quarta-feira, dezembro 19, 2007
Reflexões de uma Quarta-Feira Cinzenta
E outro dia se inicia. Como se iniciarão outras tantas centenas de dias. E, após um hiato, sempre vem a tempestade. Hora de vomitar mais algumas coisas que andam me fazendo mal. Escrever é terapêutico. Coloca-se no papel tudo aquilo que se desejar. Afinal de contas, papel aceita QUALQUER coisa. Das metáforas mais belas aos dejetos da fisiologia de um ser vivo. Nesse ínterim, pendendo para este último, estão muitas das publicações que vejo hoje em dia nas livrarias. A moda agora é publicar livros com capas coloridas, quase obras de arte. Outras tantas têm fotos de filhotes de seres humanos (ou desumanos) e de outros animais cujo mecanismo de defesa natural nada é além de sua “fofura”. Gosto de filhotes de animais. De humanos, nem tanto. Voltando ao tema, há também muitos livros com mulheres e homens de turbantes, que estavam ali, na mesma vidinha há séculos até que algum escritor piedoso resolveu tirá-los da total ignorância mundial. Quer dizer, sempre foram lembrados como “o lado do planeta que tem mais petróleo”. Seu modo de vida e de ver o mundo nunca foram considerados pelo restante da população mundial que não tem um olhar “estratégico”. A moda hoje é ser “estratégico”, mas isso já é outra consideração. Não posso esquecer dos livros que trazem impresso na capa a foto da ilustre pessoa que os escreveu. Sempre aquele tipo americano: homens gordos de óculos e roupa social; mulheres louras de cabelo curto repicado, no melhor estilo “piu-piu”, também de roupa de escritório e sorriso amarelo na cara. Uns e outros tentando vender a forma de se ganhar (mais) dinheiro. Quer saber qual é O Segredo? Não posso contar porque ele deixaria de sê-lo.
Enfim, somos seres predominantemente visuais. Muitas vezes precisamos “ver para crer”. Escrever é uma forma de tornar possível ver o que se pensa, moldado nas amarras da língua. Escreve-se e se tem estampada a sabedoria ou a idiotice de um ser humano. Neste momento em que escrevo, perco a posse de meus pensamentos, que se tornam de qualquer um, o que facilita analisar o que se pensa. Quase sempre se é mais crítico com o que é de outrem.
Pausa para sarcasmo: Quem disse ao Microsoft Word que ele sabe gramática do português? Vai que alguém começa a acreditar nele?
E um novo dia se inicia. Já escrevi isso antes? Já, agora que passei pro papel, já posso enxergar o que penso e assim analisá-lo melhor. Então, continuemos. Ultimamente tenho a impressão de que já morri. Uma morte adiada por assim dizer. Ou, como Saramago em Intermitências da Morte, é uma morte suspensa. E quantos mais não estariam vivendo esse estado? Levo uma vida na qual não acredito mais. A ilusão envolve tudo e de forma maciça, como nunca havia sentido antes e já não acredito mais em muita coisa. Numa realidade dominada por empresas que se acotovelam cada vez mais por um número limitado de recursos e de mercado, não há como crer que ainda existam pessoas que acham que a Empresa X ou Y realmente pensem em seus “clientes”. Elas tentam sobreviver. Desesperadamente. “Você é um radical”, “você quer ver o colapso do mundo” é o que muitos vão pensar. É claro que a Empresa X pensa em mim. Se pensa assim, não importa de que forma chegou a este texto, sugiro que não leia mais. Práticas como Responsabilidade Social Empresarial e Responsabilidade Ambiental são só mais dois produtos que o marketing quer vender. E vender caro. Alguns clientes optam por pagar preços maiores, tarifas mais altas, reduzir benefícios em troca da imagem de bonzinho. Tentam expiar a sua culpa de nada fazer por meio de patrocínio a empresas que dizem fazê-lo. Isso tudo sem precisar levantar a bunda gorda do sofá. “Mas é melhor do que não fazer nada”. Quem disse que você precisa fazer alguma coisa? Ou, o que você fez para verificar se a empresa realmente faz o que anuncia? Você já procurou saber o quanto a empresa ganha em isenções fiscais pelos programas que administra? Não se iludam. Nenhuma empresa dará algo gratuitamente. Se ela gasta tantos milhões com “programas sociais”, ela ganha outros tantos milhões com novos clientes, como os que acreditam nelas, ou com incentivos governamentais, além de um ganho em melhoria de imagem.
Vamos a um relato de outra natureza, que ilustra, porém, outra forma de ilusão empresarial em favor do cliente. Recentemente comprei passagens aéreas da TAM pelo site (me recuso a usar “sítio” ou retirar a próclise). Tanta facilidade, até o meu assento eu pude escolher, o 8F, próximo à turbina pra que eu não tenha nenhuma chance de sobreviver a uma explosão. Já sei que sou invulnerável, quase imortal!!! Mas isso é assunto pra outro texto. No dia certo, chego para pegar o vôo. Agora com o novo serviço de facilidade TAM, alguns terminais eletrônicos foram instalados antes do balcão para que o próprio cliente possa, com toda a simplicidade, fazer seu próprio check-in. Por trás disso tudo está o corte de gastos com contratações. Mas, que isso importa? Ficou fácil, não ficou? Você, que tem bagagem pra despachar – infelizmente o tele-transporte ainda não foi inventado pela TAM – vai ter que pegar fila do mesmo jeito. Bom, agora tenho q esperar as antas digitais aprenderem a usar um simples terminal que dá instruções. As pessoas hoje em dia têm preguiça ou não sabem mais seguir instruções. Querem pensar tudo, deduzir como funciona. Chega a minha vez. O terminal coloca à disposição varios tipos de consulta: CPF, e-ticket, Cartão Fidelidade. Vou no CPF que já sei de cor. Digitado o CPF, qual a tela q me segue: “Digite o nº do seu e-ticket”. Duh! Se eu quisesse e-ticket, eu teria escolhido na tela anterior, não? Reviro a mochila e acho o maldito papel. Próxima tela, confirmar o assento... Como assim? E o meu 8F perto da turbina? Havia uma mocinha “engomadinha” para tirar dúvidas quanto ao uso do terminal. Perguntei a ela porque eu teria de escolher novamente meu assento, que se encontrava ocupado. “Ah, o assento é sujeito a alteração...”. Só não esculachei a coitada porque sei que não foi ela que teve essa brilhante idéia. Escolhi meu novo assento e, por pouco, não sofri over-booking – que é outra forma de ser enganado, mas tudo pelo seu bem.
Tem muito mais de onde saiu isso tudo, porém é hora de voltar para a “realidade”. Ainda falta fazer considerações sobre relacionamentos, toda a bullshit que se inventa na administração, políticos, e todo tipo de coisa que me cerca e me engana todos os dias.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Rainer Maria Rilke - Cartas a um jovem poeta
Paris, 17 de fevereiro de 1903
Prezadíssimo Senhor,
Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.
Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.
Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.
Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.
Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.
Com todo o devotamento e toda a simpatia,
Rainer Maria Rilke
quinta-feira, março 22, 2007
Ausência

Já tem algum tempo que não escrevo. Desde que resolveram bloquear o acesso a determinados sites na empresa, fiquei desmotivado em escrever. Não teria onde publicar e, quando chego em casa, após 9-10 horas de clausura, o espírito não quer saber de “obrigações”. Acho que “obrigações” são coisas com que eu tenho lidado pouco ultimamente. Pelo menos as para comigo. Vejo-me às voltas com a iminência de escrever uma monografia para concluir a pós-graduação que não sei bem porquê faço. Escrever sobre motivação. Meio irônico vindo de alguém tem pouca motivação para fazer a vida “andar”... Na verdade, ela anda. Só não ao passo que gostariam que andasse. Por que ninguém olha mais para o céu? Por que eu gosto tanto de ver as nuvens enfeitando a imensidão azul dessa cidade? Bom, são perguntas que não penso responder. São como um segredo pessoal, que nem a mim mesmo gostaria de revelar. São como certos mistérios e fantasias. Quando solucionados e vividos, deixam de ter o sabor que outrora tiveram.
***
A vida sempre muda. A minha mudou recentemente. Mudei-me recentemente. Após muito ensaio e reflexão, resolvi finalmente arrumar um canto para mim. Minha mãe não aprovou a idéia, para ela, viveríamos sob o mesmo teto até o fim dos dias. Mas eu nunca tive esse espírito familiar, pois, desde que me entendo por gente, éramos apenas meus pais e irmãos. Estes últimos, meus concorrentes. Acabei incutido com essa idéia por toda a minha criação e isso me atrapalha hoje em outras áreas também. Está agora encravado na minha personalidade. Odeio esse senso de competir pelas coisas mais idiotas possíveis. E não pode ser uma competição formal, com premiação, cerimônia, espectadores, torcida; tem que ser uma loucura criada ad momentum pela minha cabeça. É tão ridículo que tenho até vergonha de concretizar aqui um exemplo. Hoje, que percebo com muito mais facilidade esses momentos de puro gênio criativo, tento reverter o pensamento antes que ele se instaure. Alguns são mais ligeiros que eu.
Melhor voltar ao trabalho. Quando tiver mais tempo e disposição, coloco mais algumas palavras aqui.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Só (2)

Nas minhas andanças pela internet, acabei parando no site do Project Gutenberg e lá, procurando um livro clássico, acabei encontrando um livro de auto-ajuda de 1916... Comecei a passar o olho pelo texto e não foi surpresa alguma constatar que os problemas de outrora se perpetuam. Se pararmos para pensar, podemos regressar (nunca regredir, pois são épocas distintas) 400, 1000 anos que seja, e os problemas serão bem parecidos. Quanto tempo será preciso para percebe que é o homem que carrega tal mácula?
O título do livro é "Quit Your Worrying". O livro inteiro vale a pena ser lido, mesmo que apenas para traçar um paralelo com o que se produz hoje. Porém, gostaria de dividir um poema de John Burroughs presente no livro (poema esse que eu não me atrevo a traduzir, mas fico feliz se alguém se habilitar) chamado The Waiting. Segundo o autor George Wharton James, John atingiu muito mais do que sequer sonhara, e a razão para causar tamanho impacto no mundo da língua inglesa foi mostrar algo que até então era desconhecido.
Serene I fold my hands and wait,
Nor care for wind, or tide or
sea;
I rave no more 'gainst time or fate,
For lo! my own shall come to
me.
I stay my haste, I make delays,
For what avails this eager pace?
I stand amid the eternal ways,
And what is mine shall know my face.
Asleep, awake, by night or day,
The friends I seek are seeking me,
No wind can drive my bark astray,
Nor change the tide of destiny.
What matter if I stand alone?
I wait with joy the coming years;
My heart shall reap where it has sown,
And garner up its fruit of tears.
The waters know their own and draw
The brook that springs in yonder
height,
So flows the good with equal law
Unto the soul of pure delight.
The stars come nightly to the sky;
The tidal wave unto the sea;
Nor time, nor space, nor deep, nor high
Can keep my own away from
me.
Nada mais há que ser dito. Talvez seja a hora de seguir meu próprio caminho.













